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Ecos

Em ecos se encerra meu dia
Reflexos aninhados das pesadas horas
Numa continua e vaga eucaristia
Das memórias falsas de mil agoras

Numa reação repetida
Ilusões permanecem aqui, vivas
E esqueço de maneiras sucessivas
Da ação sobre si revertida

Minha vida em ecos acontece
De novo as horas passam
Sempre passam e voltam
Apenas lembrança que se destece

Uma Tristeza

Tenho uma tristeza dentro de mim
Fria, afiada, doce
Deixo-me afundar nela de vez em quando
Sinto-lhe tomar conta de tudo
Permito-o pelo tempo que é preciso
Pois ela é parte minha
E não ouso mais fugir do que eu sou

Assim sou
Às vezes sim
Tão triste como um poeta calado

Somente Hoje

Eu sei bem que deveria, no passado, te deixar
Amanhã é um novo dia e eu preciso continuar
A viver

Não desisti de sonhar com um brilhante futuro
Mas é que agora o luar me parece mais escuro
Sem você

A noite sempre precede o romper da aurora
E as luzes voltarão a brilhar como outrora

Um dia irei sentir isso novamente
Repleto como as águas do mar
Mas hoje e hoje somente
Não quero deixar de te amar

No jardim

Seu amor é como flores
Lírio e rosa e margarida
és por mim muito querida
Um Lindo buquê de cores

Mas que tragédia
Ou seria comédia?

Sou alérgico a pólen