Mais um companheiro português mostra sua obra no Ofício Literário. Desta vez, Luis Garcia mostra todo seu talento poético com um tempero lusitano.
Perfilamentos
Porque não devorar cada dia?
Arrancar dele, sentimento a sentimento,
e inventar um lugar
a que possas chamar teu…
Ou então, ser apenas o momento
aquele… o que sabes te faz feliz,
onde quer que te encontres.
Tu sabes bem.
Sabes que são os teus olhos
os que conhecem as mãos, as que dormem
sobre a face que é a tua.
E as mesmas que apagam as lágrimas
guardam o poder de mostrar um mundo
e emoções, quando acreditar é apenas
a definição que fazes de ti.
Chamamentos
Nada do que possas arrepender-te,
adivinha qualquer rasgo do meu sentir…
O rosto que julguei saber como teu
é mais longe do que queria dizer…
Brincam espaços entre os olhos, e então?
Julgo que ainda não a percebemos,
a parte que faz o sentido,
ignora a própria palavra,
e troca verbos por coisa nenhuma.
Despojada por segundos incoerentes,
muito mais do que o tempo
para aprender o texto,
há o descobrir de tantas vontades,
o chamar de cada som
que tens a certeza
ninguém poderá dizer que aconteceu.
E o segurar da tua mão,
poderá ser o tempo da existência
ritmos do teu sentido
que há no soletrar da tua voz.
Pequeno como tu
Pequenos pedaços imaginam
Como se pode construir a cidade,
nada do que faças
Dos segundos que te oferecem
Mudará a face das construções
e as ilusões são todos os que correm.
Os pés que fazem das tuas ruas
O turbilhão que amanhece o dia…
Na confusão os génios ganham o pão
e muitos são aqueles
Que nunca se conheceram!
Para conhecer mais de Luis Garcia, visitem http://www.luisgarcia.com.pt/
