Tempo da Narrativa

O que é Tempo?

Se você também não conseguiu responder esta pergunta, seja bem vindo a uma das mais antigas tradições humanas: a tentativa de conceituação do Tempo. O Tempo em si é um conceito de difícil apreensão. Desde a Antiguidade, vem-se tentado definir o Tempo; uma atividade eminentemente filosófica, ampla demais para ser abordada aqui (e agora).

Porém, o termo “tempo” abrange outros sentidos além da idéia conceitual de Tempo em si. Por hora, vamos escolher um significado prático para a palavra tempo, considerando-o como uma medida usada para determinar a sequência de eventos, intervalo entre eventos e a duração de eventos. Evento é qualquer acontecimento, ação ou processo: uma rotação da terra em torno do seu próprio eixo, o desenrolar de uma guerra, o ato de sentir o calor de um objeto, todos esses são exemplos de evento. E dependendo da natureza destes eventos podemos classificar o tempo em:

Tempo Físico – quando consideramos como referencial eventos da natureza. Para esta classificação de tempo leva-se em as relações de casualidade (causa e efeito) entre os eventos e mudanças objetivas, que independem de consciência do sujeito (ou observador), e quantificáveis através de grandezas constantes.

Tempo Psicológico – levando em conta a sucessão dos processos psicológicos, temos o tempo psicológico, cuja principal característica é a inadequação aos referencias objetivos. O tempo psicológico, diferente do tempo físico, é subjetivo, variando de indivíduo para indivíduo.

Tempo Cronológico – o referencial no tempo cronológico são eventos naturais cíclicos e de duração determinada, utilizados na regulação de eventos sociais. Anos, que são baseados no intervalo de translação do planeta Terra; Meses, referentes ao intervalo de translação da Lua em torno da Terra; Dias, intervalo de rotação da Terra sobre seu próprio eixo; Horas, Minutos e Segundo; que são subdivisões do Dia, são exemplos de Tempo Cronológico, também chamado de tempo socializado ou público.

Tempo Histórico – Representa o intervalo de duração de fatos históricos. Intervalos maiores representam o conjunto de eventos históricos ou um processo histórico (o Feudalismo Japonês, a formação da cidade de São Paulo, surgimento do capitalismo), enquanto intervalos menores representam acontecimentos singulares (uma guerra, um movimento político, migração populacional).

Tempo Linguístico – está ligado intrinsecamente ao discurso. No tempo lingüístico, o presente é o momento da fala, e este é seu eixo central. O passado e o futuro estão situados em pontos de vista para trás e para frente, respectivamente, a partir do referencial presente do discurso. A ordenação dos acontecimentos se dá então pelo meio da própria linguagem com a utilização de advérbios temporais como “agora”, amanhã ou “ontem”.

O tempo na narrativa

O texto ficcional é, como um todo, um signo lingüístico complexo composto por dois elementos distintos: o significante que é o próprio texto físico, o conjunto de frase, parágrafos e capítulos; e o significado, o mundo ficcional formado na mente do leitor/ouvinte. O tempo na narrativa compreende uma duplicidade temporal, um tempo para cada aspecto do signo ficcional.

Ora, o tempo do significante é o tempo lingüístico acima mencionado, o tempo do discurso. Este tempo segue a sequência da leitura ou emissão verbal, colocando numa ordenação linear os elementos narrativos do texto (cenas, descrições, diálogos). Já o tempo do significado, o tempo da história é pluridimensional não só pela sua maleabilidade (uma vez que o tempo dá história pode ser acelerado, alongado, pausado) e pela sua não-linearidade (é possível antecipar o futuro e retornar ao passado utilizando a anacronia), mas também pela múltiplas dimensões temporais possíveis de existir dentro de uma mesma história (por exemplo, o tempo psicológico do personagem principal ao lado do físico do ambiente, ao lado ainda do tempo cronológico dos eventos ficcionais).

Referências

Benedito Nunes, O Tempo na Narrativa

Antônio Carlos da Silva, As teorias do signo e as significações lingüísticas

Referências

Benedito Nunes, O Tempo na Narrativa

Antônio Carlos da Silva, As teorias do signo e as significações lingüísticas

Categories: Generalidades

Comments (4)

  • oi, felipe

    gostei muitíssimo do seu blog. parabéns pela iniciativa, pela intenção, pela clareza e pela dedicação.
    peço licença para divulgar seu blog na minha página e entre algumas pessoas que têm feito oficinas de escrita literária comigo. algumas das suas sugestões de exercícios são muito boas!
    abs
    milu

  • Hey Johnny Malone, nice blog.
    I’ve got some stupid doubts about WordPress, that i’m gonna bother you about them. See you later, saulty sea dog!

  • MUITO LEGALZ

  • Bruno de Souza Ribeiro

    Achei esclarecedor… me ajudou muito…
    Muito bom….

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