A Ruína

A ruína não tinha paredes e teto
Sequer um umbral ainda mantinha
Somente o chão forrado de vinha
Delimitava seu desenho discreto

Lembro-me muito bem de quando
Passava todas as noites em claro
Sob as sombras do meu desamparo
Nesta casa perdida sonhanhando

Tornou-se aos poucos sem vida
No qual eu perdi muitos dias
Em promessas de amor vazias
Tal qual paixão interrompida

E está ruína não é outra senão
Meu ensimesmado frio coração

Canto para Cecília

Quem pode estar dizendo
Que não estou sonhando
Que não estou dormindo?
Continuo cantando
Mesmo que o som não saiam de mim
Enquanto a melodia houver
Sei que existirei enfim
Onde a música estiver

Matemático

Pensei ter achado
A equação do viver
Por anos ligado
às fórmulas do saber
Por mais que encontrasse
As variáveis da função
Nunca encontrei
Solução para solidão

Insano

Espírito meu
Do estase
Pela isso
Trocaria não e
Abertos olhos
Tenho pois
Especial sou
Perdeu coração
Seu que o ocultam
Sentimentos seus
que o aceita
Não mente
Sua que o vejo
Olhos loucos
Meus nos
Diferente
É tudo

A Flor

A flor murcha e morre
despe-se de si
vagarosamente corre
para deixar de ser

Abandona seu perfume
que a tantos encantava
e o rubro já desbotou
há muito tempo

Ficam no passado
lembranças dessa vida
pois só lá podem
se manter eternas

Not too shy

What is beauty worth if not
To be enjoyed by its holder
To be kept ever on thought
To be worn over and over

Judgment is but a whim
Of those who are not free
Of mind or filled with glee
Souls solid and grim

May it give us a choice
In view of the grace
The truth then embrace
Life does has a voice

And it calls us to see
Beauty calls us to thee

No jardim

Seu amor é como flores
Lírio e rosa e margarida
és por mim muito querida
Um Lindo buquê de cores

Mas que tragédia
Ou seria comédia?

Sou alérgico a pólen